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Segurança da IoMT: por que a visibilidade de dispositivos médicos virou prioridade | Prolinx
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Segurança da IoMT: por que a visibilidade de dispositivos médicos virou prioridade

A Internet das Coisas Médicas (IoMT) é a rede de dispositivos médicos conectados, como monitores, bombas de infusão e sistemas de imagem, que trocam dados com os sistemas clínicos de hospitais e operadoras.

A segurança da IoMT é a disciplina que protege esses equipamentos e os dados que eles produzem contra acesso indevido, falha e interrupção de serviço.

Programas maduros começam pelo mesmo ponto: saber o que está conectado, onde e sob qual criticidade clínica.

O que é a Internet das Coisas Médicas (IoMT)

A IoMT reúne os equipamentos médicos que se conectam à rede da instituição e trocam dados com prontuário eletrônico, sistemas de imagem e plataformas de gestão assistencial. O escopo abrange monitores multiparâmetro, bombas de infusão, ventiladores, sistemas de imagem como tomógrafos e equipamentos de ressonância, além de wearables clínicos integrados ao acompanhamento do paciente.

A diferença em relação à IoT genérica está no propósito e no regime de vida do equipamento. Um sensor industrial responde a uma cadeia de produção; um monitor de beira de leito responde a uma decisão clínica em curso. O dado que ele gera alimenta conduta médica, e a indisponibilidade do equipamento afeta o atendimento no momento em que ele acontece.

Há ainda uma diferença de responsabilidade. O dispositivo médico conectado divide responsabilidade entre o fabricante que o homologou, a engenharia clínica que o mantém, a equipe assistencial que o utiliza e a área de segurança digital que responde pela rede em que ele opera.

01Ciclo de vida próprio

Dispositivos médicos conectados seguem prazos de suporte definidos pelo fabricante.

02Homologação sanitária

A atualização depende de validação clínica, técnica e contratual.

03Impacto assistencial

A indisponibilidade do ativo pode afetar o atendimento no momento da decisão clínica.

Dispositivos médicos conectados formam uma categoria de ativo com ciclo de vida próprio, homologação sanitária, prazos de suporte definidos pelo fabricante e substituição condicionada a orçamento de capital. A internet das coisas médicas, portanto, exige um modelo de gestão que a segurança de TI convencional não cobre sozinha.

Por que a segurança da IoMT é diferente da segurança de TI

Um servidor corporativo recebe um patch na janela de manutenção. Um equipamento médico depende de homologação do fabricante, de validação clínica e, com frequência, de um sistema operacional que saiu de suporte antes de o hospital terminar de amortizar o investimento.

60%dos dispositivos médicos operam em fim de vida sem patch de segurança disponível.
87%não conseguem rodar proteção de endpoint convencional.
6,2vulnerabilidades por dispositivo, em média.
2024-25período dos dados marcados pela ORDR.

A restrição de correção tem origem contratual e sanitária, e não apenas técnica. O fabricante valida a configuração do equipamento como parte da homologação do produto, e uma atualização aplicada fora do pacote homologado pode retirar o suporte do contrato ou exigir nova validação.

Quando o agente de proteção não pode ser instalado e a correção não pode ser aplicada, a equipe de segurança recorre a controles compensatórios aplicados ao redor do ativo: segmentação de rede, controle de acesso, monitoramento de comportamento e resposta que preserve a continuidade assistencial.

O tamanho do problema da segurança de IoMT, em quatro camadas

Os dados públicos disponíveis descrevem o problema de segurança de IoMT em quatro níveis, do setor ao paciente.

Nível do setor O relatório semestral da Check Point Research registrou média semanal de cerca de 2 mil ataques cibernéticos por organização de saúde em maio de 2025, conforme noticiado pelo IT Forum em 21/07/2026.

Nível do parque O Team82 da Claroty analisou mais de 2,25 milhões de dispositivos médicos em 351 organizações de saúde e publicou que vulnerabilidades conhecidas exploradas apareciam em dispositivos de 99% das organizações analisadas.

Nível nacional A ANPD instaurou processo sancionador contra o Instituto Saúde e Cidadania por falha na proteção de dados de cerca de 500 mil pacientes após ataque de ransomware ocorrido em 2025.

Nível assistencial Estudo publicado no American Economic Journal: Economic Policy encontrou redução de 17% a 24% no volume assistencial na semana inicial de ataques de ransomware e aumento de 34% a 38% na mortalidade intra-hospitalar entre pacientes já internados.

A leitura conjunta desses quatro níveis situa o dispositivo conectado dentro da cadeia de risco assistencial da instituição. O equipamento carrega vulnerabilidade explorável, participa do fluxo de dados do paciente e sustenta a conduta clínica em curso.

O gargalo de segurança está no processo, antes da tecnologia

A visibilidade completa de dispositivos aparece como o desafio que 43% dos respondentes da pesquisa da Asimily querem resolver primeiro, acima de detecção de ransomware, com 24%, e de automação de conformidade, com 22%.

43%querem resolver primeiro a visibilidade completa de dispositivos.
24%priorizam a detecção de ransomware.
22%priorizam automação de conformidade.
15%declaram não ter processo definido para tratar vulnerabilidades encontradas.

O circuito da falha se repete com regularidade. A engenharia clínica recebe, instala e homologa um equipamento novo dentro do prazo do contrato assistencial. A conexão de rede é providenciada pela equipe de infraestrutura como tarefa pontual. A área de segurança descobre o ativo semanas depois, quando ele aparece em um scan, ou não descobre.

A resposta a esse circuito é estrutural. A governança tripartite entre engenharia clínica, TI e segurança da informação define quem aprova a entrada de um dispositivo na rede, qual informação acompanha essa entrada e quem responde pelo ativo ao longo do ciclo de vida.

  • Fabricante, modelo e versão de firmware.
  • Prazo de suporte declarado.
  • Unidade e leito de operação.
  • Protocolos de rede utilizados.
  • Sistemas clínicos com os quais o equipamento troca dados.
  • Responsável pela operação.

O contexto regulatório brasileiro dos dispositivos conectados

Três instrumentos delimitam hoje o terreno regulatório dos dispositivos médicos conectados no Brasil, cada um por um ângulo distinto.

Resolução CFM nº 2.454/2026

O artigo 21 estende as disposições da norma aos modelos, sistemas e aplicações de inteligência artificial em desenvolvimento ou já em uso nas instituições médicas.

Guia nº 38 da Anvisa

Reúne princípios e práticas de cibersegurança em dispositivos médicos e serve de referência para instituições que operam esses equipamentos.

LGPD

Os dados que um monitor, uma bomba de infusão ou um equipamento de imagem produzem são dados pessoais sensíveis de saúde desde a coleta no equipamento.

Inventário de tratamento

O dispositivo conectado entra no inventário de tratamento de dados da instituição, ao lado dos sistemas clínicos.

Como estruturar visibilidade e governança do parque IoMT

A construção de um programa de segurança IoMT segue cinco etapas que independem de fornecedor e se apoiam no acordo de governança entre engenharia clínica, TI e segurança da informação.

Inventário contínuo Dispositivos conectados atualizados por descoberta automatizada e alimentados pelo processo de entrada de equipamento.

Classificação por criticidade clínica Atenção ordenada pelo impacto no cuidado, e não apenas pela severidade técnica da falha.

Rastreabilidade de acesso Registro de quem acessou o quê e quando nos sistemas clínicos.

Monitoramento contínuo Identificação de desvio de padrão em equipamentos onde o agente de proteção não pode ser instalado.

Plano de resposta assistencial Procedimentos de isolamento que consideram o paciente conectado ao equipamento.

A ordem importa. Classificação sem inventário produz uma lista parcial, e monitoramento sem classificação produz alerta sem prioridade.

Ferramentas Tenable para visibilidade e gestão de exposição do parque IoMT

A Tenable trata a visibilidade de ativos hospitalares pela ótica de gestão de exposição, que unifica a descoberta de dispositivos e a priorização de vulnerabilidades em uma visão única.

Três produtos organizam o portfólio aplicável ao parque IoMT. O Tenable One OT Exposure, anteriormente chamado Tenable OT Security, cobre ambientes convergentes de TI e OT, onde o equipamento clínico convive com a rede corporativa. O Tenable Vulnerability Management e o Tenable Security Center sustentam a priorização por risco dos achados levantados.

01Inventário

Descobre ativos hospitalares conectados e alimenta a visão do parque.

02Classificação

Associa vulnerabilidades ao dispositivo e entrega contexto para priorização clínica.

03Monitoramento

Sustenta a leitura contínua da exposição em ambientes convergentes de TI e OT.

Ferramentas Kaspersky para proteção de dispositivos e cargas do ambiente clínico

A linha da Kaspersky aplicável ao ambiente hospitalar cobre camadas diferentes do mesmo parque. O Kaspersky Embedded Systems Security foi desenhado para sistemas embarcados de baixa capacidade computacional e sistemas operacionais fora de suporte, incluindo versões antigas do Windows.

Na página de saúde do fabricante, outras três soluções aparecem para o restante do ambiente. O Kaspersky IoT & Embedded Security trata dispositivos conectados e sistemas embarcados; o Kaspersky Next EDR Optimum cobre os endpoints convencionais do hospital, com resposta automatizada e análise de causa raiz; e o Kaspersky Managed Detection and Response entrega detecção e resposta gerenciadas com apoio de inteligência de ameaças.

A distribuição dessas camadas segue o mapa de ativos. Estações administrativas e servidores clínicos aceitam agente convencional; equipamentos embarcados exigem a linha específica; e o monitoramento gerenciado cobre o intervalo entre o alerta e a decisão.

Visibilidade como condição da continuidade do cuidado

A segurança da IoMT começa pelo inventário. Sem visibilidade de ativos hospitalares conectados, a instituição não consegue classificar risco, não consegue priorizar correção e não consegue desenhar uma resposta a incidente que preserve o atendimento.

O caminho é conhecido e disciplinado: acordo de governança entre as três áreas que tocam o dispositivo, inventário contínuo, classificação pela criticidade clínica, monitoramento do comportamento e um plano de resposta que trate o paciente conectado como parte do escopo.

A Prolinx é parceira da Tenable e da Kaspersky, os dois fabricantes citados nas seções anteriores, e implementa essas soluções em ambiente hospitalar dentro do desenho de governança descrito aqui.

Perguntas frequentes sobre segurança da IoMT

O que é IoMT?

A Internet das Coisas Médicas (IoMT) é a rede de dispositivos médicos conectados, como monitores, bombas de infusão e sistemas de imagem, que trocam dados com os sistemas clínicos de hospitais e operadoras. A segurança da IoMT protege esses equipamentos e os dados que eles produzem contra acesso indevido, falha e interrupção de serviço.

Qual a diferença entre IoT e IoMT?

A IoMT é o subconjunto da IoT dedicado a dispositivos médicos. Ela opera sob ciclo de vida clínico e regulatório próprio, com impacto direto no cuidado ao paciente.

Por que dispositivos médicos são mais vulneráveis que equipamentos de TI?

Segundo levantamento da ORDR publicado em abril de 2026, 60% dos equipamentos estão em fim de vida sem patch disponível e 87% não conseguem rodar proteção de endpoint, com média de 6,2 vulnerabilidades por dispositivo. Sistemas operacionais legados e ciclos de homologação longos sustentam esse quadro.

Quem responde pela segurança dos dispositivos médicos no hospital?

A responsabilidade é compartilhada entre engenharia clínica, TI e segurança da informação. Em pesquisa de dezembro de 2025 da Asimily, fornecedora de plataforma de gestão de risco de dispositivos conectados, um terço dos CISOs de hospitais norte-americanos atribuiu as falhas de proteção a problemas de processo entre essas áreas.

Dispositivo médico invisível também fica invisível durante a crise.

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