Pentest para o setor financeiro: o que muda com a exigência do Banco Central e como sua instituição deve se preparar

A segurança digital no setor financeiro agora é lei. Com as novas Resoluções do Banco Central (CMN nº 5.274/2025 e BCB nº 538/2025), o pentest (teste de intrusão) se torna obrigatório a partir de março de 2026 para bancos, cooperativas de crédito e fintechs. Entenda a urgência da regulamentação, quem precisa se adequar e como o teste de intrusão deixa de ser opcional para se integrar à governança e proteger sua instituição contra fraudes e vulnerabilidades.
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Sumário

A segurança digital deixou de ser apenas uma preocupação técnica para se tornar uma exigência regulatória formal no setor financeiro. Com a publicação das Resoluções CMN nº 5.274/2025 e BCB nº 538/2025, o Banco Central estabelece novas diretrizes de cibersegurança que entram em vigor a partir de março de 2026.

Entre os pontos centrais está a obrigatoriedade da realização de pentest — também conhecido como teste de intrusão ou penetration test — como instrumento formal de identificação e correção de vulnerabilidades.

Para cooperativas de crédito, empresas de cobrança e pequenas e médias financeiras, essa mudança representa um novo patamar de responsabilidade. Mais do que cumprir uma norma, trata-se de proteger dados sensíveis, operações financeiras e a confiança do cliente.

O que muda com a nova regulamentação do Banco Central

A nova regulamentação reforça a necessidade de controles técnicos estruturados e testados periodicamente. O foco deixa de ser apenas possuir ferramentas de segurança e passa a ser comprovar, de forma documentada, que os sistemas resistem a tentativas reais de exploração.

Na prática, isso significa:

  • Realizar testes de intrusão periódicos;
  • Documentar resultados e planos de correção;
  • Garantir que fornecedores também sigam padrões equivalentes;
  • Manter registros e evidências para auditorias.

O pentest no setor financeiro passa a integrar a governança da instituição. Não é mais um procedimento opcional ou eventual.

Quem deve se adequar

A exigência não se limita a grandes bancos. Estão incluídas:

  • Cooperativas de crédito;
  • Instituições de pagamento;
  • Financeiras;
  • Empresas que operam crédito próprio;
  • Fintechs;
  • Organizações que intermedeiam operações financeiras com base tecnológica.

Instituições de menor porte também são fiscalizadas. E, muitas vezes, justamente por terem estruturas mais enxutas, tornam-se alvos preferenciais de fraudes e ataques digitais.

Por que o pentest se tornou prioridade no setor financeiro

O ambiente financeiro é um dos mais visados por criminosos digitais. As razões são claras: movimentação constante de recursos, dados pessoais sensíveis e integrações com múltiplos sistemas.

Nos últimos anos, o avanço do Open Finance, das APIs de integração e dos aplicativos móveis ampliou a superfície de exposição das instituições.

Um teste de intrusão bem conduzido permite identificar:

  • Falhas de configuração;
  • Problemas de autenticação;
  • Acessos indevidos a dados;
  • Pontos frágeis em integrações com terceiros.

O Banco Central, ao tornar o penetration test obrigatório, sinaliza que a prevenção precisa ser prática, testada e comprovada.

Principais focos do pentest no setor financeiro

O pentest no setor financeiro não é genérico. Ele deve refletir a realidade operacional da instituição.

APIs e integrações digitais

Com o Open Finance, APIs passaram a ser parte central da operação. Um teste de invasão avalia se essas integrações permitem acesso indevido a dados ou manipulação de informações.

Aplicações móveis e portais web

Aplicativos de crédito, portais de negociação, áreas ligadas a clientes e sistemas internos são avaliados quanto a falhas que possam permitir acesso não autorizado.

Infraestrutura e ambientes em nuvem

Servidores, backups e configurações de ambiente também são analisados. Muitas falhas relevantes surgem de permissões excessivas ou configurações inadequadas.

Controle de credenciais e autenticação

O teste de intrusão simula tentativas de exploração relacionadas a senhas fracas, reutilização de credenciais ou falhas no processo de autenticação.

Como funciona um teste de intrusão na prática

Apesar do nome, o pentest não é uma invasão ilegal. Trata-se de um processo autorizado, controlado e documentado.

1. Definição de escopo

São definidos os sistemas, aplicações e ambientes que serão avaliados. O escopo deve refletir as áreas críticas da instituição.

2. Mapeamento inicial

A equipe responsável realiza um levantamento técnico dos ativos digitais envolvidos.

3. Identificação de vulnerabilidades

São aplicadas técnicas controladas para identificar falhas de segurança.

4. Simulação de exploração

Quando identificada uma vulnerabilidade, a equipe verifica até que ponto ela pode ser explorada e qual seria o impacto real.

5. Relatório executivo

A etapa final inclui um relatório claro, com:

  • Descrição das falhas encontradas;
  • Classificação de risco;
  • Impacto potencial;
  • Prioridade de correção;
  • Recomendações práticas.

Esse relatório é fundamental para a diretoria e para o compliance, pois demonstra diligência e responsabilidade.

Benefícios além da exigência regulatória

Embora a resolução torne o pentest obrigatório, seus benefícios vão além do cumprimento formal.

Redução de risco financeiro

Fraudes, vazamentos de dados e paralisações operacionais geram prejuízos diretos. O teste de intrusão antecipa esses cenários.

Proteção da reputação

Para cooperativas e financeiras, confiança é ativo central. Incidentes digitais comprometem a imagem institucional.

Preparação para auditorias

Ter registros documentados de penetration tests facilita auditorias internas e externas.

Segurança para conselhos e diretoria

A comprovação de que a instituição testa suas próprias fragilidades protege também os administradores sob a ótica de governança.

Com que frequência o pentest deve ser realizado

De acordo com as novas diretrizes estabelecidas pelas Resoluções CMN nº 5.274/2025 e BCB nº 538/2025, as instituições financeiras devem realizar testes de intrusão com periodicidade mínima anual.

Embora a regulamentação determine a obrigatoriedade, a periodicidade deve considerar:

  • Porte da instituição;
  • Volume de operações;
  • Mudanças relevantes em sistemas;
  • Lançamento de novos produtos digitais.

Sempre que houver alteração significativa na infraestrutura, um novo teste de intrusão é recomendável.

Como escolher uma empresa para realizar o pentest

Nem todo fornecedor possui experiência específica no setor financeiro.

Ao contratar um pentest para cooperativas ou financeiras, é importante observar:

  • Conhecimento do ambiente regulatório;
  • Metodologia estruturada;
  • Relatórios executivos claros;
  • Capacidade de apoiar a governança e o compliance.

O objetivo não é apenas apontar falhas, mas orientar correções com impacto real na segurança da instituição.

Pentest no setor financeiro como instrumento de governança

A exigência do Banco Central consolida uma tendência: a segurança digital é responsabilidade estratégica.

O pentest deixa de ser apenas um procedimento técnico e passa a integrar o sistema de governança das instituições financeiras.

Antecipar-se às exigências, estruturar processos e documentar evidências é o caminho para proteger operações, dados e reputação.

Se sua cooperativa ou financeira ainda não estruturou um programa formal de teste de intrusão, o momento de agir é agora. 

Converse com a Prolinx e estruture o pentest da sua instituição com metodologia, evidência técnica e visão de governança. Entenda como um pentest estruturado fortalece a segurança e a governança da sua instituição financeira.

FAQ – Pentest no Setor Financeiro

O que é pentest no setor financeiro?

Pentest é um teste autorizado que simula tentativas de invasão em sistemas digitais de uma instituição financeira. O objetivo é identificar falhas antes que sejam exploradas por criminosos.

Pentest é o mesmo que teste de intrusão?

Sim. Pentest, teste de intrusão, teste de invasão e penetration test são termos equivalentes utilizados para descrever a avaliação prática de vulnerabilidades em sistemas.

O Banco Central passou a exigir pentest?

Sim. As novas resoluções do CMN e do Banco Central determinam a obrigatoriedade de realização de testes de intrusão periódicos para instituições financeiras.

Cooperativas de crédito precisam fazer pentest?

Sim. Cooperativas, financeiras e outras instituições reguladas pelo Banco Central devem se adequar às novas regras de segurança digital.

Com que frequência o pentest deve ser realizado?

A periodicidade depende do porte e da complexidade da instituição, mas deve ser regular e sempre que houver mudanças relevantes em sistemas ou infraestrutura.

O pentest substitui antivírus e firewall?

Não. O teste de intrusão não substitui ferramentas de proteção. Ele avalia se essas ferramentas e configurações estão realmente funcionando de forma adequada.

O que acontece se a instituição não realizar o pentest?

O descumprimento das normas pode gerar questionamentos regulatórios, penalidades e riscos reputacionais, além de manter vulnerabilidades não identificadas.